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Como as ciclovias devem manter a segurança dos ciclistas?

O número de ciclovias e ciclofaixas nas capitais brasileiras cresceram 7,3%, conforme um levantamento realizado pela Aliança Bike entre julho de 2023 e julho de 2024. Apesar do aumento, a pesquisa destaca que a ampliação desses espaços ainda acontece lentamente. Mas em meio a esse cenário, é importante compreender como essas estruturas devem proporcionar segurança

Aplicativo Publicado em 28/Ago/2025 5 min de leitura
Entenda também quais regras de segurança os ciclistas devem seguir nesses espaços (Foto: Freepik).

Leitura em voz inativa.

O número de ciclovias e ciclofaixas nas capitais brasileiras cresceram 7,3%, conforme um levantamento realizado pela Aliança Bike entre julho de 2023 e julho de 2024. Apesar do aumento, a pesquisa destaca que a ampliação desses espaços ainda acontece lentamente. Mas em meio a esse cenário, é importante compreender como essas estruturas devem proporcionar segurança aos ciclistas.

Quando se trata do uso de bicicletas como transporte, a Pesquisa Nacional Perfil Ciclista 2024 mostrou que 62,4% dos entrevistados as utilizam para ir ao trabalho, enquanto 33,9% usam as bikes para fazer compras.

Ana Carboni, conselheira da União de Ciclistas do Brasil e gestora do Projeto Vias Seguras, explica que ciclovias urbanas são caracterizadas por espaços destinados ao tráfego exclusivo de bicicletas, geralmente separadas do trânsito motorizado. “Elas são parte de uma rede de mobilidade ativa que contribui para deslocamentos mais seguros, rápidos e saudáveis”, complementa.

Conforme Ana, uma das importâncias dessas estruturas é “proteger o ciclista em um trânsito historicamente violento e centrado no carro, estimulando mais pessoas a pedalarem e ajudando a reduzir congestionamentos e emissões [de poluentes]”.

Um estudo de 2022 publicado na plataforma National Library of Medicine destacou o Brasil como o quinto país que mais tem mortes por acidentes de trânsito. Agora, quando se trata da emissão de gases que influenciam as mudanças climáticas, o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), com base nos dados Balanço Energético Nacional (BEN), mostrou que o setor de transporte registrou um aumento de 3% da emissão de gases de efeito estufa em 2023.

Assim, as ciclovias são rotas sustentáveis e que devem proporcionar segurança. Ana diz que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) reconhece bicicletas como veículo, determinando que o poder público seja responsável pela circulação segura. “Motoristas são obrigados a manter 1,5 metro de distância [lateral] ao ultrapassar ciclistas”, destaca.

Como o ciclista pode compreender se a ciclovia é segura?

Ao usar uma ciclovia, vale se atentar a alguns pontos para compreender se o espaço é seguro para pedalar. Ana orienta o ciclista a observar se há:

  • Separação física do tráfego motorizado;
  • Iluminação adequada;
  • Sinalização visível;
  • Sinalização horizontal (sinais na estrada) e vertical (placas);
  • Piso regular e antiderrapante;
  • Manutenção do piso;
  • Largura compatível com o fluxo;
  • Barreiras de proteção física contra veículos motorizados.

“Ciclovias seguras também evitam cruzamentos perigosos e garantem prioridade ao ciclista”, complementa a gestora. Todos esses elementos são essenciais no momento de estruturar esses locais, evitando risco de acidentes nas vias.

Como pedalar em ciclovias urbanas com segurança?

Além de analisar a existência de uma infraestrutura adequada, os ciclistas precisam seguir regras de circulação nessas áreas.“É necessário respeitar os semáforos e a sinalização, manter a velocidade compatível, sinalizar mudanças de direção, bem como usar iluminação e elementos refletivos”, ressalta Ana.

A especialista também acrescenta que é preciso dar preferência a pedestres, circular no sentido da via e manter uma distância segura dos outros usuários. Ainda, em cruzamentos, lembre-se de manter uma atenção redobrada.

Ainda, de acordo com o Detran-PR, é recomendável o uso de alguns equipamentos de proteção, como:

  • Capacete;
  • Luvas;
  • Cotoveleiras;
  • Joelheiras;
  • Óculos de proteção.

Usar bicicleta no dia a dia também é benéfico para a saúde?

O hábito de pedalar pode auxiliar na diminuição do risco de doenças (Foto: Freepik).

O hábito de pedalar pode auxiliar na diminuição do risco de doenças (Foto: Freepik).

É claro que o uso de bicicletas é bastante benéfico para o meio ambiente e para a mobilidade. Um estudo publicado na plataforma Scientific Electronic Library Online (SciELO) destacou que os transportes de propulsão humana, como é o caso das bikes, não geram poluição atmosférica e sonora, além de ocuparem menos espaço físico que os automóveis e terem um menor custo financeiro.

Mas outro efeito do ato de pedalar traz é o impacto positivo à saúde. Um artigo publicado na Frontiers in Sports and Active Living mostrou que o ciclismo está associado a uma menor incidência de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, além de promover o bem-estar.

“Pedalar reduz riscos de doenças crônicas, melhora a saúde mental, combate o sedentarismo e diminui a poluição do ar – o que beneficia toda a população”, destaca Ana. “Mais bicicletas nas ruas significam menos congestionamento e mais vitalidade urbana. Isso exige políticas integradas de transporte, saúde e urbanismo, priorizando deslocamentos curtos e sustentáveis”.

Como tornar as ciclovias urbanas mais acessíveis?

No Brasil, apenas 1,9% da população mora próxima a locais com pista sinalizada para bicicletas, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse índice representa 3,3 milhões de pessoas.

Diante desse cenário, uma dúvida que pode surgir é: há maneiras das ciclovias urbanas se tornarem mais acessíveis para a população brasileira? Ana responde que sim. “O caminho é integrá-las a um planejamento urbano que reduza distâncias e conecte bairros, áreas comerciais e estações de transporte público”, explica. A profissional acrescenta que essa organização deve aproximar moradia, trabalho e serviços.

“Mas os grandes desafios são superar a falta de continuidade das redes cicloviárias e a visão de que ciclovias são ‘obras de lazer’, e não uma infraestrutura essencial”, comenta.

“Assim, mais do que campanhas, é necessário oferecer segurança real à população. Quando a cidade tem uma rede cicloviária conectada, velocidades reduzidas nas vias e fiscalização para coibir ameaças de motoristas, mais pessoas se sentem confiantes para pedalar”, finaliza.

Já reparou?

A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.

Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.

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