Conta de luz mais cara? Entenda as bandeiras tarifárias
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou que a conta de luz no mês de agosto de 2025 está mais cara, com um adicional de R$ 7,87 para cada 100 quilowatts-hora (kWh). O valor está elevado porque foi acionada a bandeira vermelha, no patamar 2. Mas uma dúvida que pode surgir entre muitos brasileiros
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A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou que a conta de luz no mês de agosto de 2025 está mais cara, com um adicional de R$ 7,87 para cada 100 quilowatts-hora (kWh). O valor está elevado porque foi acionada a bandeira vermelha, no patamar 2. Mas uma dúvida que pode surgir entre muitos brasileiros é: o que são essas bandeiras tarifárias que influenciam as faturas de energia?
Antes de compreender essa questão, vale entender o cenário do uso de energia no país. Dos dez países que mais consomem energia elétrica no mundo, o Brasil está em sexto lugar, de acordo com dados do U.S. Energy Information Administration (EIA), destacados no Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2025 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Ainda, de acordo com o documento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de energia elétrica em residências brasileiras aumentou 7,2% em 2024, quando comparado ao ano de 2023. O motivo por trás dessa alta foi a presença do fenômeno climático El Niño, que influenciou períodos de estiagem – baixo volume de chuvas – e temperaturas elevadas.
Aliás, as condições climáticas e hídricas são alguns dos fatores que fazem com que as contas recebam uma determinada cor de bandeira e, consequentemente, um valor mais caro ou mais barato. Mas, afinal, quais são as tonalidades desses indicadores? De acordo com a ANEEL, as bandeiras estão divididas da seguinte maneira:
- Bandeira verde;
- Bandeira amarela;
- Bandeira vermelha – patamar 1;
- Bandeira vermelha – patamar 2.
“As bandeiras tarifárias foram criadas pela ANEEL para oferecer aos consumidores uma maior previsibilidade de custos e transparência na conta de luz, refletindo as variações no custo de produção de energia elétrica no país, especialmente em função das condições climáticas”, explica Jorge de Assis, engenheiro eletricista e engenheiro de segurança do trabalho.
“Vale destacar que esse custo sempre existiu, mas, com o sistema de bandeiras, ele passou a ser informado de forma clara”, diz.
O que cada cor de bandeira significa, na prática?
Além das condições climáticas, a ANEEL pontuou em nota que o sistema de bandeiras tarifárias considera critérios como:
- Disponibilidade de recursos hídricos;
- Avanço do uso de fontes renováveis, como a hídrica (energia da água dos rios), eólica (energia do vento) e solar (energia do sol);
- Acionamento de fontes de geração de energia que são mais caras, como as termelétricas.
A partir da análise de todos os fatores envolvendo o fornecimento de energia aos brasileiros, é determinada uma cor de bandeira às contas de luz que, na prática, significa o seguinte:
Bandeira verde
- Condições favoráveis de geração de energia;
- Sem acréscimo de um valor na conta.
Bandeira amarela
- Condições de geração de energia menos favoráveis no país;
- Conta de luz tem acréscimo de R$ 1,885 por kWh consumido.
Bandeira vermelha – patamar 1
- Condições de geração de energia mais custosas;
- Conta de luz tem acréscimo de R$ 4,463 por kWh consumido.
Bandeira vermelha – patamar 2
- Condições de geração de energia ainda mais custosas;
- Conta de luz tem acréscimo de R$ 7,877 por kWh consumido.
“Todos os meses, as condições de operação do sistema de geração de energia elétrica são avaliadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que define a melhor estratégia para atendimento da demanda do país”, explica Jorge.
“Essa avaliação leva em consideração as previsões de geração hidráulica e térmica, além de outros fatores operacionais, resultando na definição da bandeira tarifária a ser aplicada naquele mês”.
O engenheiro eletricista também complementa que a tarifa de uma bandeira é aplicada sobre todo o consumo de energia elétrica durante o período em que ela estiver ativa.
Onde o consumidor pode acompanhar a bandeira?
Os consumidores podem consultar a cor do indicador nas próprias contas de luz, que podem apresentar qual tarifa está sendo usada na sessão de mensagens importantes ou informações adicionais. Também é possível acompanhar as bandeiras no próprio site da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que costuma lançar comunicados sobre a tarifa que será aplicada em cada mês.
Bandeira vermelha (patamar 2): quais situações fazem com que ela seja acionada?

Cenários específicos podem fazer com que a bandeira vermelha na conta de luz seja acionada (Foto: Freepik).
O anúncio de uma bandeira vermelha na conta de luz costuma assustar os consumidores, já que isso significa uma fatura mais cara. Se for o patamar 2, os brasileiros podem ficar ainda mais receosos. Mas quando isso acontece, é importante saber quais as situações que a fazem entrar em cena.
“A bandeira vermelha, principalmente no patamar 2, é acionada em cenários críticos de geração de energia, como baixos níveis nos reservatórios das hidrelétricas, obrigando o uso de fontes mais caras, como as usinas termelétricas”, explica Jorge.
Por exemplo, nesse mês de agosto de 2025, a bandeira está vermelha e no patamar 2 porque o país está em um cenário de baixa afluência – ou seja, pouco volume de água nos rios e reservatórios das hidrelétricas. Assim, nesse momento, as termelétricas estão sendo usadas para manter o fornecimento de energia no país.
“Essas condições são comuns em períodos de estiagem e tempo seco, característicos de certas épocas do ano”, comenta Jorge. De acordo com um boletim do Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil, o número de cidades em situação de seca moderada a extrema passou de 1.018, em junho, para 1.480, em julho.
A expectativa é de que o índice de locais com seca moderada a extrema diminua no final de agosto, representando uma redução desse cenário no Brasil.
Tarifa social também sofre os impactos das bandeiras?
Brasileiros pertencentes a famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único ou que tenham, entre a família, beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), podem ter acesso ao programa Tarifa Social de Energia Elétrica. Essa iniciativa permite descontos na conta de luz.
No entanto, mesmo quem participa desse programa é afetado pelas bandeiras tarifárias. E Jorge ressalta que “os descontos aplicados na tarifa social também se estendem aos valores adicionais das bandeiras”.
Como se proteger dos aumentos na conta de luz com atitudes simples?
Adotar alguns hábitos simples no dia a dia pode ajudar a conta de luz a pesar menos no bolso. Jorge orienta as seguintes medidas para o brasileiro usar a energia elétrica de forma eficiente e econômica:
- Aproveite a luz natural durante o dia;
- Prefira o uso de lâmpadas de LED;
- Faça revisões na instalação elétrica;
- Substitua eletrodomésticos antigos ou com defeitos, como geladeiras com vedação comprometida;
- Evite o uso simultâneo de vários equipamentos elétricos.
Já reparou?
A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.
Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.
Colaborou: Manoela Cardozo.